sábado, 18 de julho de 2009

O Ministério da Magia não é invenção de J.K. Rowling


Tal como a imagem sugere, quero aqui hoje fazer uma comparação temporal num aspecto da educação. Mas com uma amplitude temporal consideravelmente menor. De um ano, mais propriamente. Entre 2008 e 2009. Para especificar um pouco mais, gostava de estabelecer a comparação entre os discursos do Ministério acerca dos resultados do exame de Matemática em 2008 e em 2009.

Nota de 2º parágrafo (por um qualquer motivo estranho, isto não soa tão bem como "nota de rodapé"): as médias das notas do exame nacional de Matemática A (a Matemática com o maior número de alunos inscritos) do secundário desceram cerca de dois valores, de 2008 para 2009. No ano passado, se bem se lembram, houve umas notas fantásticas. Este ano voltaram ao normal, continuando ainda relativamente altas. Mas é uma descida acentuada, seja como for. E, na óptica do Ministério, as super notas de 2008 é que foram normais. Apesar de sensacionalmente repentinas. Nos anos anteriores, as médias andavam 2 ou 3 valores abaixo, até mesmo em anos do Governo actual. Nesse maravilhoso ano de 2008, a genial Maria de Lurdes Rodrigues alegou que elas se deveram ao esforço dos alunos e professores, ao seu empenho na preparação do exame, que, claro, foram no sentido de acompanhar as directrizes do todo-poderoso Ministério da Educação. O exame era perfeitamente adequado, os conselhos do Ministério (que, aliás, é especialista em dizer aos professores como exercer a sua profissão - vide Manual do Aplicador a partir da página 7) é que levaram os alunos a superar a Matemática, onde comprovadamente têm dificuldades. Onde ainda tinham dificuldades em 2007, quando a média foi 3 valores inferior à de 2008.

Este ano? Uma descida considerável das notas e a duplicação das reprovações. Que estranho... Mas... Mas... Será que... O Ministério... falhou?? Não, não pode. No Ministério, até podem ter havido estas dúvidas existencias, numa primeira instância, mas numa análise mais a frio, certamente todos se lembraram que é impossível o Ministério ou o GAVE terem errado. Isso simplesmente não acontece. Foi o Sócrates que mandou. Nenhum órgão do Governo erra. E se ele manda, é para cumprir...

É perfeitamente claro que foi mais alguém a falhar. Na verdade, toda a gente fora do Governo falhou. Se fosse noutra situação, eu diria que isto era disparar em todas as direcções a ver se cai algum melro, típico de quem reconhece a culpa mas quer atirá-la para outros. Mas, calma aí, estamos a falar do Ministério da Educação e de Milú Almighty (a semelhança com o título de dois filmes de comédia é pura coincidência. Ainda se fossem tragédias gregas...). É claro que a culpa é mesmo de todos os outros, longe de qualquer pessoa ponderar sequer a hipótese de ser uma desculpa barata.

E quando digo toda a gente, é mesmo toda a gente. Baseio-me na notícia do Público sobre o assunto. Resumindo, a culpa é: primeiramente, da comunicação social, por veicular que os exames são fáceis; não bastando, é também da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), pelos seus aberrantes pareceres em que absurdamente critica o Ministério e o nível de dificuldade dos exames; dos partidos da oposição, porque... Bem, não sei bem porquê, para ser honesto. Mas a culpa também é deles. Resulta daí "menos investimento, menos trabalho e menos estudo" por parte dos alunos (conforme citação da Ministra numa outra notícia), porque esse grupo de vilões permite-se divulgar que os exames são fáceis. Que afronta! De facto, contra tantos adversários, nem o Ministério e as suas directrizes fazem milagres! Os professores e alunos bem as seguem, esse caminho florido, de alegria e felicidade, mas há sempre os lobos maus à espreita para corromper toda essa envolvente virginal e levar o mal às mentes inocentes.

Só está em jogo o futuro dos alunos, a entrada ou não na faculdade e no curso que desejam e, por sua vez, as saídas profissionais que se perspectivam nessa faculdade e nesse curso. É perfeitamente compreensível que os alunos se deixem ir nessa onda de facilitismo motivada por todos aqueles grupos de vilões. "O exame até pode ser mais difícil que o do ano passado, mas também está só em jogo o nosso futuro, por isso vamos lá facilitar no estudo e esperar que seja mesmo fácil!". Diga-se de passagem, difícil difícil mesmo era fazer um exame que fosse ainda mais fácil que o de 2008. Isto é a comunicação social a falar, claro, não falo por mim, que, como qualquer outro português, acredito piamente na competência do Ministério da Educação!

Resumindo, em 2008 o mundo era belo, as médias subitamente altíssimas, e tudo graças ao trabalho de professores e alunos, convergente com o preconizado pelo Ministério. Em 2009, surpresa das surpresas!, as médias baixam mais de dois valores. Obviamente que o Ministério continuou a trabalhar bem - não podia ser de outra maneira - e que a culpa não foi dos professores nem alunos, coitados. Muito menos o grau de dificuldade do exame variou de ridiculamente fácil para bastante fácil, de um ano para o outro. Isso então, está totalmente posto de parte. O problema foi da comunicação social, SPM e oposição (peço que continuem a não me questionar o porquê da culpa ser também da oposição), que influenciaram negativamente os alunos. Em 2008, alunos e professores trabalharam afincadamente para conseguir as subidas mágicas record das notas, e isso graças aos esforços do Ministério. Em 2009, continuariam a fazê-lo se não fossem uns quantos agentes do mal. E pronto, por isto é que as médias saltam 2, 3, 4 valores de ano para ano. Em 2008, em particular, houve uma geração de alunos fantásticos, tal que, em 2007, os planos e directrizes do Ministério ainda não fizeram efeito, mas, em 2008, já fizeram, e de que maneira! Um verdadeiro Ministério da Magia do mundo real, sem Harry Potters nem Dumbledores. Mas com uns quantos Voldemorts e Devoradores da Morte.

PS: Parece que alguém decidiu dar um exame de 1984 (salvo erro) a uma turma. Houve apenas 3 alunos a conseguir nota positiva. Com certeza que era uma daquelas turmas que é constituída só por 4 alunos... Não podia ser de outra maneira... Certo? Ah, claro, também podia ser uma turma em que todos eram filhos de profissionais da comunicação social, membros da SPM ou políticos da oposição. Esses são casos perdidos, as influências que recebem em casa matam os seus talentos matemáticos...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Tourada


Eu sei, a imagem já está mais que batida. Mas não pude resistir a colocá-la em poster no Autocarro, junto ao validador dos passes. Nem podia deixar de trazer à conversa sobre rodas que aqui temos este assunto dos chifres que Bernardino Soares possuirá, de acordo com o ex-ministro da Economia Manuel Pinho. Numa insinuação feita na Assembleia da República (doravante, AR, para simplificar). Não sei quanto a vós, mas eu cá sei que a AR é a Casa da Democracia Portuguesa. Por isso, se Pinho afirma algo tão convictamente, permitindo-se até ilustrar o dito com um extraordinário gesto de mímica, acho que devemos levar a sério. Afinal, é a AR... Certo?

Ok, vocês não caíram. De facto, o que Pinho fez foi ilustrar na perfeição o que, na verdade, é o Hemiciclo cá do sítio: uma tourada. Com chifres (doravante, cornos, para simplificar), tudo fica mais claro. Mariano Gago já nos presenteava com uma possante dentição, típica de equinos fortes e saudáveis, ideais para uma tourada a cavalo. O Primeiro-Ministro é uma cavalgadura. Mesmo não tendo tão notável dentição. A forma arrojada de falar de Jerónimo de Sousa remete-nos facilmente para a "voz off" que anuncia os toureiros e as ganadarias. Todos os deputados que intervêm fazem-no num corajoso (?) tom desafiante, típico dos toureiros. A Ministra da Educação... Bem, a Ministra da Educação é simplesmente um asno (por vezes, também se vêem asnos nas touradas - tanto quanto julgo saber, que não é muito). Mas os cornos dissipam todas as dúvidas: o Parlamento é uma tourada. Com algumas diferenças, salvo seja: o povo, aprovando ou não o teor do espectáculo, não acha piada; os animais não sofrem (e ainda se divertem por cima, recebem bem e podem faltar ao trabalho) nem se vislumbra risco de extinção da espécie (raios!); os saloios são os protagonistas, e não o público; os activistas que tentam proteger a espécie resumem-se à própria espécie.

Confesso que, à primeira vista, na minha inocência, não discerni se o gesto de Manuel Pinho era uma referência a cornos ou orelhas de burro. Mas todos se apressaram a esclarecer que foram mesmo cornos, geralmente usados em insinuações provocatórias acerca de infidelidade marital. Achava a minha outra hipótese perfeitamente credível, mas de facto chamar outro deputado burro é vulgar demais. Este homem tinha de inovar. Afinal, era o ministro da Inovação.

No dia seguinte, Joe Berardo fez o melhor que sabe fazer: ser solidário, oferecendo emprego a um homem que todos crucificavam. Não, não, desculpem. O que Berardo melhor sabe fazer é mesmo aproveitar para ser protagonista. Oferecendo emprego a Pinho logo após a sua demissão do Governo... e fazendo questão de torná-lo público. E fê-lo de um modo muito sui generis, como é, aliás, seu apanágio. Não consigo citá-lo word-by-word, mas o madeirense terá dito algo como:

"Liguei-lhe a oferecer-lhe emprego, mas ele esteve incontactável. Por isso, falei com a mulher dele e pedi-lhe que transmitisse a minha oferta ao Manuel Pinho."

Bem, o que eu vejo aqui é um genial humor negro por parte de Berardo. Não quero especular, mas só interpreto esta menção de Berardo à mulher de Pinho e ao facto de ter contactado com ela, deixando subentendido que tem alguma confiança com ela (de outro modo, creio que preferiria ter transmitido pessoalmente ao visado algo tão importante como uma oferta de emprego... digo eu), como humor negro perante o gesto do ex-ministro, apelidando Bernardino Soares de "cornudo", com o significado que todos sabemos... Por que outro motivo ele teria especificado estes detalhes acerca de como fez chegar a sua oferta ao conhecimento de Pinho? Berardo com um requinte de humor magnífico.

Termino remetendo os amáveis passageiros para a letra da música de Fernando Tordo, uma das mais marcantes da história da música portuguesa, homónima ao título deste texto. Aqui a têm, a Tourada (clicar para seguir a ligação).

Não resisto ainda a partilhar uma gaffe matemática de Fátima Campos Ferreira, num programa que a RTP transmitiu ontem sobre a governação do elenco Sócrates. Devo ressalvar que não pretendo denegrir a imagem da dita senhora, que é inteligentíssima, caso contrário não seria habitual moderadora deste tipo de debates. Pretendo, sim, mostrar como, até numa pessoa tão inteligente, o raciocínio matemático por vezes falha em coisas muito simples, permitindo que os políticos nos ludibriem com a estatística, que, nas mãos certas (ou erradas, dependendo da perspectiva), é autêntica plasticina. Bem, na verdade, o que pretendo é partilhar um momento caricato, a que nunca pensei assistir: Nuno Morais Sarmento a fazer alguém, em particular sendo esse alguém Fátima Campos Ferreira, parecer ignorante. Confesso que fiquei fascinado com tamanho insólito. Passo a citar o diálogo:

Fátima Campos Ferreira: "Mas calma aí... O senhor [Morais Sarmento] diz que a taxa de analfabetismo desceu 50% no governo PSD de que o senhor fez parte, mas o valor cifrava-se em 47%... Como é possível ter descido 50%?"

Nuno Morais Sarmento: "Obviamente, desceu de 47% para 23,5%..."

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Já algum dia tinham pensado...? Eu sei que não.




Já algum dia, numa conversa com amigos, algum se lembrou de reflectir sobre a coisa mais inaudita, inóspita, inenarrável e inesperada sobre a qual alguém algum dia se lembraria de reflectir?... Sem dúvida. Todos temos esses momentos de irrepetível inspiração.

Foi neste contexto que um amigo meu começou a falar em fazer carreira no ramo dos apliques de casa-de-banho. Convém referir que prontamente o motivei, como bom amigo que sou. A delicadeza dos pormenores, as superfícies polidas até reluzir e o sonho da excentricidade das gravações a laser no suporte do porta-rolos de papel higiénico. Foi então que todos elegemos, por unanimidade e depois de breves reflexões individuais, o papel higiénico como a melhor invenção de todos os tempos. Só alguém com uma clarividência fora do comum se terá lembrado de algo assim. Não é uma descoberta como a do fogo, que podia descobrir-se por acaso, raspando duas pedras uma na outra por qualquer motivo inútil. É genialidade no seu estado mais puro.

Mas mais excepcional se torna quando analisamos a sua evolução ao longo dos tempos. Sim, é que de imediato se levantou a questão: "De quando datará a invenção do papel higiénico?". De imediato, fomos investigar e a sensacional Wikipedia deu-nos as respostas por que ansiávamos. Há relatos que dão o papel higiénico como existente na China no século VI d.C.. Passo a reproduzir a citação de Yan Zhitui, que suporta esta tese e que acho de uma sensibilidade com a qual todos devemos aprender:

"Papéis nos quais existem citações ou comentários dos Cinco Clássicos, ou que contenham nomes de sábios, não ouso utilizar no vaso sanitário."

De facto, os chineses já usavam o papel após as suas necessidades fisiológicas no tempo do senhor Yan Zhitui. E deduz-se que não eram esquisitos. Provavelmente usavam a composição que o filho tinha feito na escola ou o desenho do dia do Pai, se é que já era celebrado naqueles tempos. Eram tão pouco selectivos que Zhitui escreveu com a finalidade única de salvaguardar que não ousava utilizar papéis com nomes de sábios ou conteúdos dos Cinco Clássicos (os cinco livros essenciais da ideologia chinesa durante vários séculos, relacionados com o confucionismo). Os chineses podiam assear-se utilizando papéis do maior valor científico ou sentimental, mas este homem não ousaria dar tal fim a papéis com o dito conteúdo, demarcando-se dos demais com este grito de sensatez e lucidez.

Mas prossigamos com a história do papel higiénico. Isto passou-se na China, numa época em que não havia globalização como hoje. Pelo que, noutros sítios, outras alternativas eram encontradas, à falta de um génio criativo chinês. Longe da China, os mais afortunados usavam tecidos de lã, renda ou cânhamo (sim, cannabis). Os que não eram agraciados ao ponto de poder usar esses tecidos - ainda assim não muito confortáveis, aparentemente... -, recorriam a outros métodos igualmente engenhosos. A lista é infindável, variando o método consoante o "local, as condições climáticas ou os costumes sociais", de acordo com o artigo da Wikipedia. Antes de enumerar os mais importantes, peço que tomem especial atenção à última variável, os costumes sociais. Eu podia divagar e tentar associar cada método a um costume/ocasião social (e também perceber como é que os investigadores e historiadores sabem tudo isto), mas prefiro deixar-vos dar largas à imaginação. Resumindo, os métodos mais populares provinham das árvores: folhas e madeira. Os japoneses gostavam particularmente da madeira. Também se usavam pedras, feno e espigas de milho, escolhendo apenas alguns outros métodos. A gama comfort via-se nos castelos, onde se usavam esponjas comunitárias. Uma perspicaz visão periférica era necessária, na medida em que, para evitar caminhar do vaso até ao balde de água salgada com a esponja (que, por serem comunitários, se colocavam num local central da zona sanitária), era necessário constatar quando o colega do vaso ao lado terminava, e pedir-lhe encarecidamente que transmitisse o balde e a esponja. E, por fim, o método mais engenhoso: consistia em usar as mãos.

Temos, portanto, uma evolução apenas comparável (e vagamente) à dos métodos contraceptivos, em que temos o sumo de limão e a tripa de porco como os precursores dos métodos actuais. Convém referir que todas aquelas soluções do parágrafo anterior datam de épocas como o fim do século XIV. Escolho esta localização temporal em específico porque é nela que se situa um registo muito interessante. É que, enquanto uns usavam madeira, pedras e espigas de milho, outros já dispunham de 15 mil folhas de um papel higiénico especial, mais suave e tendo cada folha sido individualmente perfumada. Onde? Na China, pois claro! Trata-se do Imperador Hongwu e da sua família.

Mas se sentirmos a necessidade de dar um nome ao génio que idealizou o papel higiénico, esse nome será Seth Wheeler. Foi Wheeler o primeiro a patentear o papel higiénico - e já perfurado entre as folhas e com um tubo de cartão no centro, tal como o conhecemos hoje. Da mesma maneira que idealizou o tubo, Wheeler idealizou e patenteou o porta-rolos e o seu suporte. Onde hoje se sonha fazer gravações a laser.

Qual é o ponto de tudo isto? O ponto de tudo isto é um ponto de exclamação, a seguir ao progresso. E o mote a que cuidemos dele, para que ele não nos destrua a possibilidade de assistir até onde ele próprio nos vai levar. Tal como nós a falar das espigas de milho, gerações vindouras rir-se-ão de Seth Wheeler e do seu papel higiénico. Para que tal aconteça, o progresso não pode entrar em processo de autodestruição. E que um dia este autocarro seja maglev, para o conforto dos imprescindíveis passageiros.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A malta lá do burgo... Estrasburgo




Sim. É mesmo um post novo. Mais de dois meses depois, o Autocarro volta a ter rodas. De facto, houve uma pausa para revisão e mudança de óleo, mas hoje o Autocarro regressa à estrada e aos seus fiéis passageiros, proporcionando-lhes o one night stand que tão carinhosa e insistentemente pediram. Com as férias a aproximar-se a passo largo e os biscates dos motoristas (leia-se estudos) perto de findarem, isto não será mais, espera-se, um mero one night stand, mas antes, e uma vez mais, um serviço regular aos cidadãos. E não comparticipado pelo Estado.

E em boa hora menciono o Estado. Pois é mesmo de política que hoje se fala no Autocarro. Aliás, outro regresso não seria de esperar senão a escassos dias de umas eleições. Quem não gostar de dizer mal dos políticos, que pressione o botão de Stop. Bem me pareceu que não ia ter de parar. E agora quem vai exercer o direito de voto que pressione o botão de Stop. Pois, também achei que só íamos parar lá mais à frente.

Mas vamos então falar um pouco das eleições europeias que estão aí a rebentar. Antes de mais, partilho convosco um sítio que achei engraçado, onde podem descobrir com que partido têm mais semelhanças, respondendo a algumas perguntas rápidas. A ligação é a seguinte: http://euprofiler.eu/ . Eventualmente, as coisas mais interessantes que descobrirão neste sítio nem estão relacionadas com o resultado do teste em si, saber que partido tem ideologia mais parecida com a vossa. Pessoalmente, as duas coisas mais fascinantes que descobri com esta ligação são que temos 16 opções de voto (15 partidos mais o voto em branco - parece que, entretanto, houve 2 que ficaram pelo caminho e não vão surgir no boletim de voto) e que vários partidos que vão às urnas nestas eleições europeias são... anti-europeístas. Aliás, se dúvidas houvesse sobre isso, o tempo de antena do Partido Popular Monárquico tratou de as dissipar com a maior das eficácias. O candidato do PPM usou o tempo de antena para referir que é inaceitável a integração de Portugal na União Europeia, que esta ideia só serviu para nos espoliar e que, em 1986, não foi Portugal que entrou para a CEE, mas sim a CEE que entrou em Portugal. Após esgrimir mais alguns argumentos, o dito candidato terminou com um efusivo: "E é por isso que o PPM vai à Europa!". Notável. Acho de uma coragem inaudita ir refilar contra a ideia da União Europeia no seio da União Europeia. E, num contexto de crise como o que vivemos, é de aplaudir todos aqueles que, não se conformando com as dificuldades, aceitam ir trabalhar e receber dinheiro para uma instituição que odeiam. Como a vida está dura! Só posso imaginar a garra com que este partido irá lutar pela saída de Portugal da UE nas legislativas, que é, parece-me, uma ocasião um pouquinho mais oportuna para lutar por isso. Bem... Outra hipótese é, quando chegarmos às legislativas, já toda a gente se estar a borrifar para a Europa. Toda a gente?... Não toda. As crianças lembrar-se-ão, visto que o PS se prepara para extraditar o Avô Cantigas para animar as hostes lá por Estrasburgo e Bruxelas. Esperemos que o PSD não se lembre, à última da hora, de eleger a Floribella em vez de Paulo Rangel, ou as criancinhas portuguesas ficarão totalmente órfãs. E se o PS tem o Avô Cantigas, já o BE tem o Fantasminha Brincalhão (para os menos informados, é a personagem de uma música do dito artista). Só lhe falta mesmo levitar e "fazer boo boo, boo boo".

Termino exortando todos a ir exercer o direito de voto, que é também cumprir um dever. Mas, ao contrário do que muitos pensam, é muito mais um direito do que um dever. Um direito que, estupidamente, continuamos a desvalorizar e desperdiçar. O direito de reagir, combater a mediocridade das pessoas que nos governam e exigir melhor. E também volto a recordar que o voto em branco é tão válido e útil como o voto no PS, no PSD, no MPT, no PNR ou noutro qualquer partido. Vão às urnas dizer o que pensam, com uma só cruz num quadrado ou então nenhuma. Neste nosso país, nunca é demais difundir esta mensagem didáctica.

Encontramo-nos por lá. E por aqui também, em breve e, assim os astros o queiram, com mais frequência.

sábado, 28 de março de 2009

Robin dos Bosques






Bem, fiquei de partilhar convosco cuidados a ter nos bosques quando buscando guaxinins lascivos. Já falei dos texugos ardilosos, e fiquei de partilhar conhecimentos sobre uns gambozinos. Conhecimentos esses que me são alheios. Confesso que nunca vi tal bicho. Dizem esses amigos experientes que é bom sinal para mim. Deve ser mesmo perigoso.


Bem... Minto. Em boa verdade, eu já tive um contacto com esses ditos gambozinos. E ainda bem que já mencionei o Canal Odisseia no post anterior, pois foi também justamente a TV Cabo que me proporcionou tal contacto. De vez em quando, passo pela casa de um rapazola porreiro que é o Martim. Não me olhem com essa cara, apenas sou padrinho de uma grande amiga que tem uma prima que por sua vez é casada com o genro de um colega de trabalho da mãe do rapaz. Um dia sentei-me a ver televisão enquanto ele foi buscar uma tal de Maria Joana à escola. Disse que ela estava com um colega dele, um calmeirão chamado Dylan que anda sempre de óculos escuros (posso ter percebido mal, mas acho que ouvi o pobre Martim chamá-lo Dealer... Coitado do rapaz, chumbou a Inglês, percebe-se que não consiga dizer bem um nome como Dylan).

Enquanto ele não voltava, calcorreei os canais da TV Cabo, apesar dos conselhos que me deram no Grupo de Calcorreadores Anónimos de Televisões Com Mais de 10 Canais. E naquela barra da programação deparei-me com um "Luana à caça dos gambozinos". Mas estava a dar num canal que não tenho em casa. É daqueles que é preciso pagar e não sei quê... O Martim mais tarde explicou-me que o avô tinha feito a subscrição daquele canal por engano. Tinha sido há 2 anos atrás.

Mas acho que a TV Cabo deles está com um problema. Nesse canal codificado anunciavam esse "Luana à caça dos gambozinos". No canal Caça e Pesca anunciavam um "Com a espingarda na mão" e no National Geographic anunciavam o 5º episódio da 2ª temporada de "Leoas Africanas". Epá, eu acho que há aqui um qualquer problema de sincronização da programação com os canais, os programas parecem estar todos trocados. Enfim, estas tecnologias e modernices que inventam... Aquele tasqueiro do Raimundo é que tem razão, como era antigamente é que era bom, ligava-se a televisão e se, por uma mera casualidade (era raro acontecer), nos deparássemos com um discurso do Salazar ou propagandas do Estado Novo não havia complicações ou indecisões existenciais. Simplesmente tínhamos de roer com aquilo no maior dos silêncios e com todo aquele ar patriótico (não fosse o pulha do vizinho do lado ser um PIDE... ou a amante uma agente disfarçada). Sim, esse ar patriótico como o que os jogadores fingem quando fingem cantar o hino. Pronto, vá, não todos, os brasileiros safam-se bem.

Entretanto, lá chegou o Martim. Feliz da vida. Acho que há ali qualquer faísca entre ele e a Maria Joana. Aaah, bons tempos de juventude. Este miúdo leva-me de volta aos meus tempos de loucura e depravação com a minha Adelina. E as voltinhas com a Hermínia também, mas não digam nada a ninguém. Esta história só aqueles bancos de trás do primeiro autocarro que conduzi podem contar.


Mas isto tudo para dizer que desconheço esses supracitados gambozinos, mas vozes sábias dizem que eles não são de confiança. Cuidado com eles nos bosques e com os texugos de que vos falei. Acreditem... Não há nada mais perfurantemente doloroso para a alma do que só descobrir que um suposto guaxinim é afinal um texugo quando ele já está a escorrer suor pela face.

Já dizia um outro sábio:



"Se um dia andares por bosques

E um texugo avistares

Foge, muda de ares,

Dá de frosques."



Ok, eu confesso, na verdade o "outro sábio" sou eu, como se percebeu pela (falta de) qualidade da quadra. Apenas quis desesperadamente um motivo para usar a palavra "frosques", que acho um expoente de elevado grau na tabela da sensualidade. Na da Maya, acho que está cá para baixo esta semana.


Mas que nada disto vos desanime.

terça-feira, 17 de março de 2009

Ah pois, o segredo de Napoleão!


Pois foi, veneráveis passageiros, entusiasmei-me tanto a falar do mais sensacional produto francês, em concorrência apertada com o souvenir "Air de Paris", que é uma lata de sardinhas vazia (supostamente contém ar parisiense - este souvenir existe mesmo!), que me esqueci do propósito fundamental da minha anterior partilha. Todos queriam saber o segredo da mão de Napoleão, não era? Aaah, na verdade não me esqueci, quis sim deixar em vós aquele suspense hitchcockiano. Fui mesmo um maroto, não fui? Mas somos amigos na mesma, este vosso fiel motorista apenas gosta de uma boa partida de vez em quando. Ah, outra razão foi para que o post não tivesse a extensão dos discursos do Fidel Castro. Infelizmente, eu ainda não posso forçar ninguém a ler este blog, por isso devo ter esse cuidado.

Bem, os mais astutos e perspicazes passageiros (ou seja, todos vós) já devem ter percebido. Napoleão escondia claramente uma barra de Savon de Marseille. Que grande General era ele que nem sequer tinha barba para meter medo aos adversários? Pois... Os caminhos dele e do Savon ter-se-ão cruzado um dia... E ele não mais o pôde dispensar. Se voltarem a reparar na imagem abaixo, perceberão que ele diz: "Queres saber o que aqui está, huh? Mas ele é só meu, mon ami... Nem penses que o vais descobrir!" Percebe-se. Era o maior segredo de Estado da altura: o segredo para a pele macia de um General feioso. E consta que esse mesmo homem era um mulherengo de elevado grau. Com este segredo exposto, também esse enorme mistério fica claro como a água (a água da altura de Napoleão, quando ainda não havia descargas poluentes ou elas limitavam-se a excrementos). Tivesse o General Loureiro dos Santos conhecimento do Savon de Marseille e também ele sacava-as a todas. Não dava hipótese.

Em boa verdade, acho que também foi assim que o General Soult conquistou a minha tetr... tri... como se diz? A minha super-hiper-mega-ri-avó, quando veio para cá nas segundas invasões francesas e lhe tomou a Bastilha. A macieza (sim, esta palavra também me causa pruridos na garganta) do Savon de Marseille é um afrodisíaco possante. Digamos que Marselha é a Cabinda europeia, graças a este centenário produto.

Mas já que estamos na toada das grandes sensações desta vida, deixem-me que vos diga que uma experiência que recomendo mesmo aos nossos passageiros é fazer amor selvagem com guaxinins. De preferência no trepidar do autocarro. Apanhem o autocarro 873-PEV para o bosque, recolham um ou dois e mal possam façam o transbordo para este vosso autocarro companheiro de todas as horas. Mas cuidado no bosque para não serem enganados por ardilosos texugos em busca de enganar os mais sedentos e inexperientes. Esses senhores fazem-se passar por guaxinins para merecer a nossa atenção e vai-se a ver e aquela lista contínua a percorrer os olhos foi conseguida com um maravilhoso lápis... E sombra e sabe-se lá que mais manhas destes travestis do Reino Animal. É importante salientar, para quem não assiste ao Canal Odisseia, que a diferença mais notória a olho nu (espero é que ainda não estejam todos nus antes de terem a certeza de que estão perante um guaxinim genuíno) entre estes dois indivíduos prende-se com essa lista preta facial. A do guaxinim percorre os olhos, é horizontal. A do texugo já é vertical, não se cruzando com a sua cavidade ocular (vulgo vista).

Outro cuidado que devem ter ao deslindar os caminhos do bosque, segundo dizem vozes também assaz experientes na matéria, é com uns tais de gambozinos. Mas sobre isso falarei brevemente. Volto a interromper uma magnífica história em nome do suspense... E da moderação do tamanho dos posts. Continuem connosco.

quarta-feira, 11 de março de 2009

O segredo de Napoleão



Sempre quiseram saber o segredo daquela mão dentro do casaco?

Eu sei que sim. E, como sou descendente do general Soult (que pelos vistos invadiu mais que o solo português...), os meus passageiros preferidos têm a sorte de saber esse segredo, um dos mais ocultos da história da humanidade. Sei que toda a gente escolheria saber isto, se pudesse optar entre a mão de Napoleão e a Área 51. Então eu vou contar.

Já imaginaram o Rato Mickey como chef de cuisine française, dançando um cancan enquanto canta a Marselhesa?

Também sei que sim. Mas sei que nunca perceberam o denominador comum entre todos estes elementos. (Cala-te, Arnaldo, não é nada a França, nunca ouvi tamanha estupidez. Disseste suavidade, Carrie? Fantástico. Vê-se mesmo que és uma passageira assídua.) É a suavidade. O brilho, também. O Rato Mickey precisa de um fato bastante suave para as crianças o abraçarem na Disneyland (qualquer semelhança com crianças a abraçar uma pessoa coberta por um disfarce num sítio chamado Neverland é pura ficção). Os pratos de cozinha francesa precisam de estar suaves e a brilhar intensamente, visto que comida não há quase nenhuma, a única coisa que se vê é mesmo o... prato. Daí que tenha de estar perfeitamente apresentável. O cancan leva-nos (com pena minha, apenas numa viagem mental) ao Moulin Rouge e às suas dançarinas, cuja pele tem de ser igualmente suave e brilhante para atrair os visitantes. E a Marselhesa? Enfim, pensei em algo que servisse para representar a língua francesa, também toda suave e com os rócócós todos que todos sabemos (curiosamente, o rócócó é um estilo arquitectónico também de origem francesa).

E a que leva a suavidade e o brilho? Com certeza. Ao mais extraordinário, fantástico, sensacional, laudatório produto cosmético alguma vez inventado: o Savon de Marseille. O meu salvador e fiel companheiro após aquele incidente do gel de banho. Rendi-me ao Savon de Marseille e não mais fui o mesmo. É o expoente máximo da suavidade. E é terapêutico, varre as impurezas todas e essas coisas que os dermatologistas dizem. Quem me conhece sabe que esta referência era inevitável. O Savon de Marseille é a mais genial criação da mão humana. Pelo menos a mais genial utilizando gorduras de bovino.

É com Savon de Marseille que o fato de Rato Mickey é lavado. É com Savon de Marseille que se lavam pratos em restaurantes finos. É o Savon que faz as delícias de quem vai ao Moulin Rouge, mesmo que essas pessoas nem sonhem. Quais candelabros, quais luzes, o Savon é que faz aquelas meninas brilhar! E é com Savon de Marseille que os franceses lavam a língua para conseguirem falar daquela maneira, só o Savon consegue amaciar algo de tal maneira (vá, o verbo Pouvoir conjugado no futur simple até é bastante viril).

Experimentem este fabuloso Savon e verão que a vossa vida dará uma volta de 360 graus. Sim, a vossa vida fica no mesmo sítio. A vossa pele é que nunca mais será a mesma.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

São duas da manhã e concluo que...



Vinha eu hoje no autocarro a caminho da faculdade quando de repente me apercebi de que a senhora que ia à sentada à minha frente estava discretamente a ler um artigo de uma revista. Que artigo seria aquele? Porque o estaria ela a lêr tao cedo? Porque é que inclinava a revista sempre que alguém se levantava? Porque é que parecia babar-se enquanto os seus olhos percorriam as duas páginas, letra a letra?

Pois bem, eu, como jovem dedicado ao estudo comportamental da sociedade lisboeta quando dentro de um autocarro, resolvi simular que algo me incomodava (uma especie de comichão) e ir espreitando para o artigo. "O meu marido perguntou-me o que era aquilo", "Sinto-me húmida com as cuecas vibratórias". MAS QUE PORRA É ESTA?!

Meus anjos e minhas anjas, apresento-vos o novo grito do prazer: as Cuecas Vibratórias!!

Segundo o que consegui ler muito rapidamente, são umas cuequinhas que vibram, podendo assim qualquer rapariga, mulher, idosa ou rabeta, sentir um intenso prazer sem que ninguém se aperceba. Contudo... isto vai ser O FIM! Permitam-me que explique.

Raimundo, de 42 anos, chega a casa depois de uma fatingante tarde de trabalho e chega ao quarto. A sua mulher, Cristina, encontra-se sentada à beira da janela do quarto. Raimundo, sempre muito romantico, segreda-lhe: "vou-te comer toda e saciar este desejo que me entope a alma". Cristina, olha para ele e diz: "huummmmm... hummm...". Raimundo sente-se poderoso. Porém... "Munduxo "(diminutivo estranho de Raimundo) eu não preciso que me dês prazer. Casei-me contigo por amor. Quero que sejas um bom marido e nada mais. As minhas cuequinhas do prazer já me estão a pôr doidinha".

Raimundo diz-lhe: "vamos para a cama e vamos fazer um filho. Era tão bom recebermos o subsídio!"

Começam a beijar-se e deitam-se na cama. Raimundo arde de desejo, despem-se... "NAAAO!! Munduxo! As cuequinhas não sao para tirar!"

Raimundo enfurecido sai do quarto. Passados 20 segundos bate à porta do quarto. Entra. Esfaquei-a Cristina até à morte. Salta da janela. Cai em cima de uma grávida de gémeos, matando subitamente os três, levanta-se e morre atropelado.

Resumindo: o uso de cuecas vibratórias, neste caso, levou à morte de 1+1+1 e impediu o nascimento de 2 gemeos e de um possivel filho do casal.

Meninas: Não usem cuecas vibratórias. Usem-me a mim e sejam felizes.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Psycho: susto na banheira

"O drama! A tragédia! O horror..."
Começo hoje citando uma grande personagem e figura incontornável da televisão portuguesa (não tão incontornável como o Fernando Mendes e a sua barriga, mas ainda assim ostenta um ventre de respeitável porte), Artur Albarran.
E cito-o por uma simples razão e que se prende não com a autoridade que palavras de alguém como o Artur conferem a este meu texto, não com a sapiência dessas mesmas palavras, mas sim porque...
... bem, porque foi o que senti hoje de manhã no banho.
Tudo se passou ao experimentar um novo gel de banho que me haviam oferecido, de uma marca bem posicionada no mercado da qual não vou mencionar o nome. Para não a difamar. E também porque já não me lembro do nome mesmo, na verdade isto não se passou hoje de manhã mas já há uns tempos atrás, eu é que disse que tinha sido hoje de manhã porque falar com esta actualidade temporal dá um certo e inexplicável charme à história. Imaginam este texto a começar por "há não sei quanto tempo atrás"? Ridículo.
Estava eu então a experimentar este gel de banho que prometia um "efeito refrescante". Passei-o no tronco, e não senti nada de mais. Desci mais um pouco na minha fisionomia e, aí sim, senti o prometido "efeito refrescante". Mas o efeito começou a acentuar-se... Acentuou-se ainda mais... Mais um bocadinho ("ok, isto está a ficar refrescante demais", pensei eu)... Ainda mais um pouquinho (*grunhidos de desespero*)...
Já não sabia o que fazer. Atirei o gel para o lado, peguei no chuveiro e passei água até aquela sensação agora dramática, trágica e horrorosa se desvanecer. O que não resultou por completo. Fechei a água em pânico e resolvi limpar-me à toalha. E a situação lá se começou a compor, vagarosamente.
Quando me recompus, fui olhar com mais atenção para a embalagem daquele diabólico gel de banho. E aí me deparei com um minúsculo, mas estarrecedor "não aplicar em zonas sensíveis, em particular os olhos e a zona púbica".
Acho notável como alguém tem a ideia de criar um gel de banho que não pode ser aplicado na zona púbica. E quem diz essa, diz outra qualquer zona. Acho que a próxima criação vai ser o gel de banho que não pode ser aplicado nos mamilos. De seguida virá o gel de banho que não pode ser aplicados nos sovacos, e que virá com um agora maiúsculo "recomendamos também o uso do perfume X que, por acaso, também é da nossa marca". E esta espiral de genialidade culminará com um champô do estilista Miguel Vieira (sim, que isto vai ser moda, não vão ser apenas produtos de banho no mercado...) que não pode ter contacto com... cabelos! Perfeito para o Miguel Vieira, aliás. Mais: acho que era à falta de um produto assim que o Pedro Abrunhosa se referia quando numa das suas músicas ("Momento") pedia que lhe soltassem o cabelo. Não sei porquê, sempre me deu a sensação de que era uma metáfora! E quem é que tinha razão, quem era? Pois claro... Não é, Elias? Agora quem vai ter de pagar umas bejecas amanhã na tasca do Edgar? Ah, pois é! Eu sempre disse que era uma metáfora e nunca ninguém acreditou em mim!
Com este episódio me despeço por hoje. Leiam bem as embalagens daquilo que vão esfregar no corpo.

PS: Tu também, Armindo! Não penses que me esqueci que também apostaste bejecas comigo, meu animal! Aliás, não foste tu que prometeste também amendoins?

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Passeio


Hoje estava a passear na rua. Estava a passear pedalando no meu triciclo branco com o Sonic estampado. (o velhinho Sonic!! O que é feito dele?) Bem, lá ia eu pedalando quando a dada altura me surge um obstáculo. (um buraco? um carniceiro?) Era um maquievélico caracol. Daqueles que se babam enquanto se arrastam. Estar-se-ia a babar por me ver? Não. Ele estava-se a babar porque todos os caracóis se babam. E aqueles que não s babam, é porque foram pisados ou comidos por galinhas. Minto!! Como é que eu me podia esquecer do célebre "Á CARACOIS"?? Um benfiquista que se preze, tem de comer o belo caracol com o palitinho. Portanto, babam-se todos aqueles que nao foram comidos por benfiquistas, por galinhas ou pisados.

Bem, ao deparar-me com o assombroso caracol, tentei fugir. Mas para onde? E como? Ele não iría ficar de braços cruzados certamente. Se ao menos não viesse descalço... Atirava-lhe com o meu sapato. Mas as unhas também merecem respirar. Sim!! Porque durante a noite estão sufocadas pelos lençois da cama, durante o dia estranguladas pelas meias (ou peúgo) e ao chegar a casa são "afogadas" durante o meu banho de sais. Por isso decidi andar descalço durante o dia, dormir com os pés de fora e tomar banho somente sentadinho no bidé.

Chiça... o caracol continua mesmo à minha frente e parece estar indeciso quanto ao lado para o qual seguir. Esquerda ou direita? Se já nem os próprios deputados se entendem, quanto mais um mero (mas assombroso) caracolinho! Eu tentei a finta à Quaresma... mas lembrei-me que ainda falta tempo para a Páscoa. Tentei tanta coisa... Até soprei! Mas nada. Continuou a olhar-me com raiva.

Aproximou-se, então, de mim um Professor de Origami e disse: "epa... porque é que estás a fazer juízos de valor? Quem é que te disse que o caracolinho não te está a mandar beijinhos com a sua boquinha mimosa? Ou a piscar o olho!! Porque é que pensas logo que te vai fazer mal? Hein?"

E eu avancei com o meu triciclo esmagando completamente o nojento caracol.

Autocarro béléléu!


Hoje vinha no Autocarro um indivíduo que tinha acabado de chegar de Braga. Um qualquer coisa Fernandes, creio. Pareceu-me ouvir Zé.

Aparentemente, o Zé estava escandalizado com o episódio de "censura" que em tais terras minhotas tinha ocorrido. Os caros passageiros, como gente inteligente que são (estão a ler este blogue) certamente já estão a par da situação. A PSP apreendeu alguns exemplares do livro "Pornocracia", de Christine Breillat, por ter recebido queixas de que o conteúdo da capa do mesmo seria pornográfico (trata-se do quadro "A Origem do Mundo", de Gustave Courbet). Para quem tenha prescindido dos meios de comunicação social (como vos compreendo, meus amigos) e desconheça este caso, fica aqui um link da notícia:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1366440&idCanal=62 (Aviso importante: conteúdo gráfico passível de ferir susceptibilidades)

O amigo dele (creio que também se chamava Zé, por acaso, mas chamá-lo-ei "Amigo"), vestido com uma grande túnica roxa, dizia-lhe que, por muito que também apreciasse umas boas e roliças coxas e por muito aborrecido que fosse, devíamos respeitar as pessoas mais impressionáveis. E agora vou passar a transcrever em discurso directo o debate que entre eles decorreu, que eu sou só um motorista, não tenho nada que saber fazer narrações em discurso indirecto.

Zé: "Então pá, mas a ideia é mesmo chocar, como forma de atrair a atenção das pessoas e mudar-lhes a mentalidade!"
Amigo: "Então porque é que não te despes e vais ali para o varão dançar para chamar a atenção dos passageiros que aqui estão e pregar-lhes as tuas ideias?... Ah, pois... Não resultava porque eles iam virar a cara e a tua ideia tinha o efeito oposto ao desejado."
Zé: "Não sejas assim, pá. Mas aquilo é uma obra de arte reconhecida, de um reconhecido artista francês. E de qualquer modo, isto é censura à moda antiga, onde está a liberdade de expressão?"

E aqui a minha mente divagou e não ouvi mais nada. Comecei a pensar em quão delicioso seria poder conduzir nu este autocarro, com o suave sopro da Natureza a acariciar os recantos mais obscuros da minha anatomia. Epá, esta coisa da liberdade de expressão é mesmo um espectáculo. E tal como o Gustave Courbet e sua Origem do Mundo, também eu considero certas partes minhas geralmente ocultas pelo uniforme verdadeiras obras de arte, o que me faz estar ainda mais desculpado por guiar nu um transporte público. Certamente que a Cláudia Vieira é mais escultural, mas bem... Quem é o Gustave Courbet afinal? Digamos que a Cláudia é o van Gogh e eu o Courbet. Se o Courbet pode considerar-se arte, porque não eu?

Mas depois ecoou a voz do amigo do Zé na minha cabeça, que dizia que devíamos respeitar as pessoas impressionáveis. Ainda por cima essas são geralmente pessoas de alguma idade, um segmento importante da população para os transportes públicos. Será que realmente teria menos gente no autocarro se o conduzisse nu? Prefiro não arriscar, de facto. A coisa está a correr bem como está agora. E pensando bem, trabalhar nu é uma ambição luxuriosa que almejo, mas se estiver vestido também não é mau, sou feliz assim. Não custa nada respeitar as susceptibilidades de alguns, por muito frustrantes que sejam para nós. Para quê teimar? Podemos sempre dar-nos a estes pequenos prazeres na nossa privacidade, onde não ferimos nada nem ninguém.

Ainda ouvi o amigo do Zé dizer-lhe que a liberdade é um dom, sim, mas que não deve ser confundida com libertinagem e leviandade, ainda que todas as palavras começassem por L e fossem polissílabas. E que com a liberdade vem a responsabilidade.

"Porra, pá! Já estás a falar caro de mais para mim. Pensas que eu leio o dicionário da Academia de Ciências ou quê? Olha, compra mas é o livro de bolso do acordo ortográfico, que no Brasil não há cá dessas mariquices caras e além disso ficas atualizado, sem "c". E além do mais, já não fazes figuras tristes nem me envergonhas à frente das minhas amigas, e até já podes falar com elas no mesmo dialecto. Dialeto, desculpa.", concluiu o Zé. E saíram do autocarro. Ou será ônibus?

Concurso de sopa de couve


Numa bela quinta na Beira-Alta, uma multidão de gente rural assiste euforicamente à prova de sopas que o júri se encontra a fazer.

Repórter: Chegou-se-me agora a informação de que o campeonato nacional de xouepa de couebe este anho está rinhidio!
Popular: Bamus lá!! Tchupem estes caldinhos! Há xupainha de couebe da berde. Couebe flôr. Coube de Bruxelaje. Couebe minina. Couebe p'ra galinhas. Couebe de xupermercado. Couebe de mirciaria. Couebe rôtxa! Couebe galêga! Couebe couebe e mais couebe! Muito tipo de couebe!

(Aproxima-se da mesa do júri com um tupper-ware: "Ora aqui têm um saborzinho a campeão!")

(…)

Após varias vezes chamado o nome de Damásio Silva, detentor do titulo de campeão nacional do ano anterior, o júri resolveu telefonar-lhe.

Júri: Damásio! O que é que se passa? Estamos todos à tua espera!

Damásio: Oh… eu peço muitas desculpasss… mas estou qui cum problema!

Juri: Então? O que se passa?

Damásio: O tupper-ware não couve na mala!!

Aviso: façam o favor de ler


Ora… sentado num belo sofá de molas murchas (é duro meu Deus!!), com pantufas bem fofinhas calçadas, encontro-me perante um cenário que me é familiar. Olho em meu redor e tudo é de naperon! Nesta sala consegue-se contar dois naperons por cada peça de decoração. Uma jarra chinesa… colocada em cima de um naperon e, para que não entre pó (nunca percebi o sentido disto mas garanto que é verdade. Estou a ver com os meus dois “olhos que a terra há de comer!”) outro naperonzinho colocado por cima. Depois, uma prateleirinha, de madeira chinesa, forrada a naperon (lindíssima!) onde está exposta toda uma valiosíssima colecção de pratos chineses. E podia estar aqui a descrever esta tão encantadora sala, mas o império chinês é bem conhecido pelo seu regime e não fui autorizado a divulgar mais informação.

Mas tanto me entusiasmei a olhar que nem cheguei a revelar a razão pela qual tudo isto me é familiar. Pois bem… a minha mente é tal e qual como um naperon! É trabalhada diária e sistematicamente, com o intuito de se tornar mais linda, perfeitinha e útil. E mesmo que não seja útil, arranja-se alguma maneira de a tornarl! Tal como os naperons. Trabalha-se sem parar e destinam-se a todos os sítios! Se se faz um e já existe um por baixo da televisão e outro por cima… simples! “fica mais bonito com dois por baixo do televisor, não fica?” Perante isto… aqui podem encontrar a metáfora da minha mente. Sempre útil, bonita, perfeita e para todos os gostos, independentemente de se é, ou não, verdade.

Aproximo o aquecedor (a óleo para não queimar muito o ar) enquanto tento resolver o cubo mágico (ainda não consegui porque o estou a fazer com os pés!) e começo a desabafar acerca de naus perdidas no oceano que existe dentro do aquário a que dou o nome de “minha cabeça”…

“Fiel ou Infiel”! Que bom programa, não era? Na minha opinião, era o mesmo do que estarmos a ver pornografia gratuita mas com um inconveniente: aparecia sistematicamente um anúnciozinho que dizia “Párou!!! Oh Nossa Sinhora! Párou tudo!”. Só quem não tinha mais nada que fazer ou carecia de inteligência é que via aquilo. Curioso é, no entanto, ter-se registado nesse ano o número de casamentos, em Portugal, mais baixo das últimas décadas. Assim, se os portugueses aderiram em massa, cabe a cada um de nós tirar as suas próprias conclusões. Mas não tirem tantas conclusões quanto o numero de vezes que o filme “Titanic” passa na TVI na época natalícia. O final é sempre o mesmo meus caros… não vale a pena perderem quatro horas. Comam antes umas rabanadas!

E já que falei em casamento, falo agora em filhos. Andou à cerca de três anos (creio eu) desaparecida uma bebé, de seu nome Andreia Elisabete. Hummm… eu também fugia se tivesse aquele nome! Francamente não compreendo a mania de alguns pais darem dois nomes aos filhos. João André vá lá, ate nem fica mal. Lourenço Maria, até é bem bonito. Mas Andreia Elisabete?! Isso é coisa que se faça a uma criança?!! E mais! Suponhamos que a criança foi abandonada pelos pais ou ficou sem eles. Chega a um orfanato e diz (se já souber falar ou então através de um cartãozinho escrito por alguém): “sou órfão”. E a Irmã pergunta-lhe: “como te chamas minha filha?” Ao que ela responde “Andreia Elisabete”. “ohhhh… já não temos lugar para ti, pois aquele menino passou à frente.” (o menino que a ultrapassou, por acaso, chamava-se Lourenço Maria.)

Bem… ao ligar o rádio, soube que o cientista responsável pela clonagem da ovelha Dolly apoia a clonagem nos seres humanos. O indivíduo escolhido foi o agora brilhante cantor José Castelo Branco. Porquê? Porque pelos vistos estão à procura de alguém com interesse de estudo para a ciência e, para não causar lutas entre sexos, procuram alguém que esteja lá pelo meio. A má noticia (vem sempre atrás!) é que vamos passar a ter mais do que um Zézé Castelo Branco!! A boa noticia é que, se tudo correr como à ovelha Dolly, morrerão todos ao fim de um mês. Ainda houve um grupo de pessoas que tentou que as células de Francisco Adam, mais conhecido por nome de cão (Dino), fossem as escolhidas para a clonagem e o grupo tinha o apoio dos dealers da zona. Mas felizmente a Querqus interveio logo a favor da preservação dos eucaliptos.

Entra neste momento a minha namorada na sala e sussurra-me ao ouvido “Quero ter um filho teu…”. Mas os trinta minutos que aqui estive sentado a escrever, foram fatais. Trinta minutos de contacto directo do portátil com o meu “colo”. Aquilo de ter de fazer uma pausa de quinze em quinze minutos é verdade? (temo que sim…) E, por isso, a partir de hoje sou um jovem de vinte anos com uma vida cheia de cor pela frente… mas infértil. Fiz isto por um sonho. O sonho de conduzir este autocarro.

Infértil estou eu, desgraçado… mas a minha mente será sempre como um naperon.
Bem-haja!

O autocarro quase se despistava hoje


O Autocarro quase se despistava hoje.

Não, não foi a Cláudia Vieira que atravessou a passadeira, nem mesmo a Rita Pereira que vinha a cavalgar pela calçada. Vinha um empresário no Autocarro com um potencial patrocinador (iam sentados nos lugares das grávidas, diacho desta gente de negócios, é sempre a mesma coisa). Dizia o empresário que valia a pena patrocinar o seu novo bar-restaurante pois era um espaço muito agradável, com palco e música ao vivo. O outro marmanjo perguntou-lhe então que bandas famosas já lá tinham ido tocar. A resposta foi: "Bem... Já lá tivemos.. hmm... o Paulo Gonzo... hmmmm... os Índice... hmmm... E mais alguns."

Não ouvi mais nada. E o Autocarro abanou no meu segundo de estarrecimento.

Fiquei desolado. Derreado.

O meu sonho de criar uma banda chamada Os Capítulos havia-se desvanecido naquele momento. Eu queria formar Os Capítulos e ter os Índice para fazer a primeira parte dos concertos. Mas afinal os Índice são famosos! E agora? Os Índice são famosos e nunca aceitariam abrir o concerto de outra banda. Com esta é que eu não contava!
Mas depressa me recompus. Ora bem, então afinal os Índice são famosos. Ok, isso não me parará. Se são famosos, então precisam de alguém para abrir os concertos. Então inverti a coisa (inverti a marcha também porque havia um acidente de um carro de matrícula francesa na Almirante Reis) e decidi criar os Prefácio, para abrir os concertos dos Índice.

Hesito.


Os Prefácio ou os Paratexto Com Informação Sobre O Livro, A Sua Tiragem E A Editora? Qualquer um dos dois antecederia com nível os Índice.
Talvez o caro passageiro possa formar uma opinião.
E daqui a uns meses vemo-nos entre o cintilar das luzes multicolores de um palco abrilhantado pela famosa presença dos Índice.

Até lá, continuem a pressionar o botão Stop.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Serão as portas do Céu automáticas?


Não!

As portas do Céu [doravante PC] não são automáticas. Se fosse esse o caso, S. Pedro estaria desempregado, e creio que isso não é possível no Céu, visto que o conceito de Estado-Providência ainda não chegou a tais paragens, pelo que ainda não existe fundo de desemprego.

Além disso, se as portas fossem automáticas, haveria sempre um vasto numero de idiotas que acabavam por voltar atrás, fosse por diversão ou por ficarem tontos. Isto não acontece pois, não há memória de ninguém voltar atrás, ou seja, de ressurreições. A não ser a do próprio Jesus (é incrível como até mesmo no Céu, e já há 2009 anos atrás, os governantes fazem favores aos filhos, afilhados e amigos, mas o povo nunca tem direito a nada...).

As PC seriam mais facilmente comparáveis a uma discoteca reservada e S. Pedro seria o porteiro. S.Pedro seria um pretão de 2 metros e suaves 110 kg. Quem está na guestlist? "Muito bem. Toca a entrar!" Quem não está? Não entra e é mandado para morrer nas chamas do purgatório. (pelo menos é quentinho) Mandado morrer nas chamas do purgatório tal e qual como na nossa vida real! O penetra que não está na guestlist, se é descoberto (!!), vai ter de ir para uma tasca barata enfrascar-se e o resultado é justamente a sensação de se estar a morrer nas chamas do purgatório. A sensação é essa, pelo menos na garganta.


Posto isto... as portas do Céu não são automáticas!